09/10/2016

Magia 1: A Varinha do Fundador.



Era uma noite fria, e escura. A lua crescente estava coberta por nuvens, e as luzes nos postes altos, não eram suficientemente brilhantes o bastante. Noite de vinte e oito de agosto de dois mil e oito, nas ruas desertas de alguma cidadezinha, que parecia ter vindo de um filme de mistério, na Albânia.

Era uma cidade com tudo de se esperar. Uma igrejinha, casas amontoadas e um cemitério bem no centro dela. Um cemitério com ares tão escuros quanto o resto da cidade. Parecia – Não! – Com toda certeza estava abandonado há anos. Como uma coincidência notável, parecia que todas as pessoas evitavam chegar perto das ruas próximas ao cemitério.

No entanto, havia duas pessoas, um homem e uma mulher, indo em direção ao cemitério, sim, decididamente, iriam entrar nele. O homem tinha cabelos negros e lambidos, como se tivesse passado horas e gastado horas em géis de cabelo para deixar daquela forma. Era um homem corpulento e bastante alto, com botas pesadas pretas e casacos cor de verde musgo.

Já a mulher parecia mais elegante, alta, mas não tanto quanto o homem, e tinha grandes cabeleiras negras e cacheadas, jogadas de lado. Usava longas botas de salto pretas, e calças pretas com um casaco negro de couro por cima. O homem tinha uma espécie de vara saindo do bolso do casaco verde.

– Chegamos meu querido – disse a mulher, virando a cabeça repentinamente para o homem. – O local do enterro do suposto corpo do Mestre.

– Eu acho muita tolice, você o chamar de Mestre, ele é seu irmão, de qualquer forma. – respondeu o homem.

– Se chama respeito Rufeo. Suponho que nunca tenha ouvido falar nessa palavra. – debochou a mulher.

– É... – falou o homem com grande desconforto. – Tem certeza que ele está aqui, Mirna?

– Absoluta. – respondeu Mirna. – Não te traria numa roubada sem saber os riscos, não é?

– Pois bem, então. – Rufeo parecia extremamente desconfortável com o rumo que a conversa havia levado. – Então vamos logo. Vamos procurar a lápide do Mestre das Trevas.

Logo após Rufeo terminar a frase, a mulher já andava em direção ao fundo do cemitério, onde apenas uma grande lápide de pedra estava ao lado de uma árvore enorme.

– É aqui, meu amor. – disse a mulher animada. – Se acharmos apenas uma varinha aqui, quer dizer que Mestre está vivo, se não, nossa busca termina agora.

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A grande lápide de pedra, diziam em letras quase imperceptíveis cravadas nela:

                                               NETROS LAPAREA
                  04 de Abril de 1966 – 07 de Novembro de 2003

– Chegou a hora. – a mulher falou. – Me dê sua varinha, vou tentar achar a do mestre.

Ele parecia confuso, para o grande aborrecimento de sua companheira, que olhou para Rufeo com um olhar fulminante.

– Sua varinha! – disse ela quase num berro. – Eu não trouxe a minha já lhe disse. Dê-me a sua.

– Por que não trouxe a sua? – questionou o homem.

– Por que eu me ESQUECI. Por favor, me dê sua varinha Rufeo, ou então eu serei obrigado a pegar eu mesma.

– Tudo bem. – disse Rufeo com um pequeno temor em sua voz, levou a mão ao bolso do casaco e retirou uma varinha.

Era cor de madeira envernizada, marrom claro, e tinha aproximadamente trinta e sete centímetros, e era quase toda reta, e bem grossa. No fim dela, havia uma protuberância para a esquerda, na forma de uma cabeça de águia. Mirna pega a varinha apoiando o dedo mínimo no bico da cabeça da ave.

– Demorou, mas me deu a varinha. – debochou Mirna. – Pelo menos isso, não é?

O homem ficava visivelmente com raiva.

– Tudo bem. Vamos ver, vou procurar a Varinha do Mestre Das Trevas, e se ela estiver aqui, quer dizer que o Mestre continua vivo. – ela reafirma.

– Você já me disse isso. Apenas faça. – respondeu, aborrecido.

– Ótimo. – Ela agitou a varinha desenhando uma espécie de triângulo invisível no ar. Uma luz ouro-alaranjada saiu da ponta da varinha enquanto ela gritava: Trago Objeum!

Um buraco se formou na terra ao lado da lápide. E dele uma varinha saiu, era quase a cor de um osso humano, e tinha trinta e quatro centímetros, e era bem fina.

– Sim! – comemorou o homem.


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– SIM! Sim! – completou a mulher. – Nossa busca não acabou Rufeo. Aliás, acredito eu que apenas tenha começado. – diz a mulher devolvendo a varinha de Rufeo e pegando para si a varinha nova saída do buraco.

– E agora, o que faremos?

– O QUE FAREMOS? Não é óbvio? – retrucou Mirna. – Nós vamos usar a varinha para encontrar O Mestre das Trevas e assim, trazer o poder para ele.

– Mas nenhuma de nossas varinhas tem o poder suficiente.

– Verdade, nenhuma das NOSSAS, mas existem milhares de varinhas de milhares de feiticeiros e bruxos por aí. Achar a certa vai ser uma questão de tempo, meu amor. – diz ela indo para perto do ouvido dele. – Acredito eu que você é capaz de me ajudar nessa missão. – diz ela num sussurro sedutor.

– É óbvio que eu sou capaz. – responde o homem tirando a orelha de perto da boca dela. – Também é óbvio que não podemos fazer isso sozinhos.

– Tem razão. E não faremos sozinhos. Pelo menos não em longo prazo. Muitos bruxos das trevas adorariam o poder que O Mestre tem a nos oferecer. Você com certeza se lembra dos Ignus, Ametiste, e das primas Prelitews, todos bruxos das trevas, uns até são Feiticeiros das Trevas. Eles adorariam nos unir.

– Mas depois. Acho melhor deixarmos apenas entre nós dois. Por enquanto. Vamos indo, temos muito que fazer.

– Concordo. Vamos, vamos voar até lá.

Os dois juntam as mãos, e Rufeo agita a varinha numa espécie de Z e brada Trago Locali e na mesma hora, os dois viram uma espécie de fumaça negra e voar pelos céus albaneses.













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– CAPÍTULO UM –
A Mansão McLowenah


Dublin, Irlanda. Primeiro de Setembro de Dois Mil e Oito.

Era um dia quente, mas com o céu nublado. A grande Mansão McLowenah continuava lá, grande, forte e com enormes jardins verdejantes. No centro do jardim, havia uma fonte e ao lado da fonte, duas mesas e seis cadeiras. Uma mulher, de aproximadamente quarenta anos estava sentava.

– FILHA! – gritava a mulher.  – FILHA! VAI SE ATRASAR!

A mulher tinha cabelos castanhos e presos em um grande coque frouxo no topo da cabeça. Usava uma longa veste verde esmeralda com um lenço marrom na altura da cintura finalizado com um laço.

Após uns dois minutos, uma jovem de catorze anos apareceu. Ela tinha um metro e sessenta e nove centímetros de altura. Tinha uma longa franja de lado, com seus cabelos castanhos indo até o meio das costas. Estava visivelmente cansada e com pijamas ao corpo.

– Dona Maniah – disse a mais velha, com um tom de desaprovação. – me responda o motivo de você não estar pronta para o PRIMEIRO dia de aula?

– Eu tenho que comer mãe. – argumentou a menina. – Não posso aprender com fome.

– Muito engraçadinha, você. – retrucou com deboche a Senhora McLowenah. – Você sabe que as aulas só começam amanhã. Mas temos que estar no Instituto Parellium às treze horas, em ponto. Você, com certeza não quer ter a DEShonra de ser a “garota que chega atrasado” não é?

– Pare com isso. – respondeu Maniah. – Depois eu te chamo de dramática e você reclama. – disse num tom extremamente baixo, beirando ao sussurro.

– Ora, Maniah. Você deve aprender a me respeitar! De qualquer forma, – continuou ela com um tom de voz muito mais tranquilo. – são onze e quarenta.


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– Não há razão para se preocupar. Apenas balance a varinha e vamos.

– Mas Oras! – disse Sra. McLowenah com um tom de raiva. – Tudo para você é agitar a varinha e Puf!? MAS É CLARO QUE NÃO. A magia é algo de grande responsabilidade. Você ainda não sabe fazer feitiços, mas assim que souber, quero que seja responsável.

– Vou ser. Prometo.

– Pois bem. Acho que não temos escolha. – Sra. McLowenah suspira e tira a varinha de dentro das vestes. – Vestis Cambiare! – diz ela balançando a varinha.

Os pijamas logo são substituídos.

Um terno cor de vinho com bolsos em cada lado aparecem embaixo de uma blusa branca. No peito esquerdo do terno um grande ‘P’ dourado brilhava. Uma saia azul marinho beirando ao preto que ia até um dedo acima do joelho, e meias três-quarto brancas com sapatilhas pretas com saltos. Seu cabelo bagunçando é logo posto num trançado que ficava até uns dois dedos acima do meio das costas. E a franja ficava mais evidenciada ao lado do rosto.

– Ó, minha filha. – diz a mãe num tom choroso. – Minha pequena garotinha está indo para a escola. Eu me lembro de quando eu entrei. Fui mandada para Fraternidade da Água. Mas todas são excelentes. – diz a Sra. McLowenah animada.

– Mãe, eu vou me dar bem. Pode confiar.

– Eu sei. É que... é que as vezes eu penso; eu penso o que seu pai iria pensar.

– Se o papai estivesse aqui, ele ficaria muito feliz por mim.

Sim, é verdade. Senhor McLowenah morreu há cinco anos. Ele sofreu de Doença da Ametista, após agonizantes dois meses de hospital chegou a falecer. Foram tempos difíceis para as duas mulheres McLowenah.

– Tem toda a razão minha filha. Seu pai sempre me apoiou em todas as decisões que eu tomei e se eu estou feliz, você está. Sabe, as malas são mandadas magicamente, eu vou preparar elas e as quinze horas já devem estar no castelo.

– Você mencionou um castelo. Os, os não-mágicos conseguem ver?

– Mas é claro que não. Além disso, fica numa ilha em que nenhum mapa detecta. Nem mesmo, nem mesmo aquele tal de Guglê Méps.


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– Mãe, é em inglês. Fala-se “Gúgol Mepsi”. E de qualquer maneira, onde fica a ilha?

– Na Dinamarca, minha filha. Existe uma Escola de Magia para cada um dos seis continentes habitáveis. Copenhague, Toronto, São Paulo, Pretória, Mumbai e Camberra. Acho que estão construindo escolas em Havanas, Tóquio, Seul, La Paz, Manila e Upolu, mas não tenho certeza.

– Entendo. E quando vamos?

– Vamos agora. No voo, minha filha. Me dê sua mão.

A menina olha confusa.

– Sua mão, Maniah. Sua mão.

A jovem atende ao pedido e segura a mão de sua mãe. Sra. McLowenah levanta sua varinha e olha animada para filha.

– Chegou a hora, minha menininha. – ela balança a varinha fazendo um Z e apontando a própria direção. – Trago Locali!

Era incrível. Maniah via seu corpo se tornar uma fumaça negra. Seus ouvidos pareciam tapados e sua cabeça se sentia como estivesse embaixo de 3 metros de água e estava nadando a superfície muito rapidamente. Sua visão embaçara e mesmo sem usar óculos, ela se sentia que nunca vira nada tão borrado em sua vida.

Ela podia ‘enxergar’ uma mão segurando a dela, mesmo que não sentisse nada. Um vento fortíssimo passava por seu rosto e seus dentes estavam a mostra pois fechar a boca não parecia uma opção possível. De repente, ela viu algo azul. Parecia o mar e varias pessoas apontavam para elas.

Vários rastros de fumaça passavam pelo céu, e todas negras. Mas para Maniah ela estava em velocidade normal, mas havia certeza que aquelas pessoas nos barcos da água a viam como ultra veloz.

Repentinamente a cidade havia voltado, mas nenhumas das placas eram em inglês. A menina tinha a leve desconfiança que era língua nórdica. De repente elas desciam. A fumaça negra saia de seu corpo.

E do nada, a fumaça subiu e desceu rapidamente e quando ela dispersou as duas estavam no chão, sãs e salvas.

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– Cá estamos, filha. – fala repentinamente Sra. McLowenah. – Copenhague, Dinamarca.

O local estava deserto, mas logo depois cerca de quarenta pessoas saíram de fumaças negras. Todos os jovens de ternos vinho e meninas de saia e meninos de calças, todos acompanhados por adultos.

– Quem são eles, mãe? – pergunta curiosa a menina.

– Seus colegas de classe, sim. Quero dizer, isso é se eles ficarem em sua Fraternidade, claro. Lembro que conheci um garoto chamado Fobos Primus, mas ele foi para Fraternidade do Ar.

Um homem de vestes roxas acompanhados por um jovem menino cumprimenta Sra. McLowenah.

– Vanella! Quanto tempo faz que não te vejo. Filho, essa é Vanella McLowenah, estudou comigo séculos atrás.  – diz o homem se virando para o filho, que sorri sem jeito.

– Retos! Quanto tempo. – diz Sra. McLowenah abraçando sem jeito o amigo. – E suponho que este seja o famoso Cenin Topaz. Seu filho está um rapaz enorme.

– Sim, sim. – responde Retos. – Cenin aqui vai começar no Instituto Parellium esse ano e suponho que sua filha também. Lamento o que aconteceu com o Gretos. Mas ele criou uma menina linda.

– Sim. Lembro que vocês eram amigos. Minha Maniah vai começar o colégio hoje. Fale com ele, filha.

A menina aperta sem jeito a mão dos homens Topaz.

– O quê acha de irmos juntos a escola com nossos filhos? Assim como fazíamos com Proteu e Sarah.

– Parece ótimo. Vamos filho.

Os quatro andavam em direção a costa da cidade, e avistavam uma ilha de longe.

– Hum, é aí? Tudo bem? – perguntava Cenin para Maniah.


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– Oi. Tudo sim. Me diz, já sabe em qual dos dormitórios você quer ficar? Eu quero ficar na Água.

– Ah! Meu pai foi da Água também, ele sua mãe eram amigos. – e aponta com a cabeça para os mais velhos que conversavam animadamente na frente. – Eu quero ficar na Água ou na Terra. Mas qualquer um das três é boa para mim. Fogo não.

– Fogo não? Por que Fogo não?

– Meu pai conheceu um cara, acho que era Terrano Igno o nome, eles se odiavam.

– Ah, Igno... Acho que minha mãe mencionou esse nome, e acho que ela não gostava dele não. Minha mãe gostava do Diretor Enno Manicus. Pena que ele se aposentou um ano depois dela entrar.

– Sim, meu pai falou dele. Mas ele gostava mais do Diretor Gramatul. Acho que ele está aqui até hoje.

– Sim! Professor Guileaum Gramatul – disse a mãe do nada. – Ou Diretor Gramatul, ele é Francês. Está no cargo de professor desde oitenta e seis. Sempre preferi ele sendo Vice-Diretor do Professor Manicus do que Diretor oficial, mas ele é um ótimo homem.

– Ah, Vanella, isso é por que ele não dava mole para você. – disse Sr. Topaz. – Nem para o Gretos.

– E ele dava para você não é? Se ele fosse o Chefe da Água eu conseguiria bem mais dele.

– Aposto que sim. Lembra daqueles garotos do Ar?

– Ha Há! Sim. Eram uns idiotas, só prometer a resposta dos deveres que eles faziam o que quiséssemos. – Maniah se espantou. Nunca havia ouvido sua mãe falar desse jeito.

– Pai. Chegamos ao mar. E agora? – diz o garoto.

– Nós andamos até lá filho. A Baía Parellium não é tão funda. E a água reconhece todo bruxo e pai de bruxo e deixa andar.

– Andar na água, acho que já ouvi essa história. – Cenin diz sorrindo para Maniah.

– Aposto que minha mãe corria na água com meu pai. – diz a menina debochadamente para a mãe.


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– Tem razão, filha. Corria mesmo.

A filha teve a impressão de que a mãe estava brincando e disfarçava o riso, mas não tinha certeza. De repente olhava para baixo e via que estava andando pela água. Uma travessia de uns oito minutos e a Ilha e o Castelo estavam bem mais próximos.

– A Ilha de Olivius Mundi. – dizia Retos Topaz com ar de admiração. – Saiu do mar pelo famoso fundador Olivius Parellium, em 1419.

– 1419? – Sra. Maniah disse. – Sempre pensei que fosse 1409. Por isso que nunca tirei 10 em História Mágica.

Mais alguns minutos de papo jogado entre os quatro, muitos alunos e seus pais se aproximavam da costa enquanto alguns já chegavam. O Castelo Enorme estava lá, e Maniah não poderia estar mais feliz de estar lá.




























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– CAPÍTULO DOIS –
O Instituto Parellium de Magia e Feitiçaria



Um grande castelo negro e com cerca de nove torres. Era um castelo de aproximadamente nove andares, no entanto não era muito grande em largura. Era bem amontoado, e tinha uma espécie de mansão separada do castelo cerca de vinte minutos a pé. Atrás do castelo uma grande floresta verdejante com um lago no meio, e existia uma casa de pedra quase na praia, sendo que a Ilha não era muito grande.

As bocas abertas dos estudantes jovens mostrava a cara de animação de todos. Cenin estava tão ocupado olhando cada detalhe que nem percebeu que havia pisado na lama e sujado a calça azul marinho, mas seu pai logo pegara a varinha e limpara com um feitiço estranho.

Um grande portal de pedras de quase sete metros ficava na frente dos portões verdadeiros de madeira do castelo. Um grande ‘P’ de prata enferrujada ficava no topo do portal. E ao lado uma inscrição também enferrujada dizia:


Instituto Parellium de Magia e Feitiçaria Europeu
1419 – Inserir Ano com Magia Depois
Fundado por Olivius Parellium, um homem de bom coração e húngaro de coração.
‘O Instituto Parellium deve ser aberto para todos bruxos de todos os países, para que tenham os melhores três anos de sua vida’
- Parellium, Olivius. Disse ele alguns meses antes de sua morte em 1457.



– Uau! – exclamou Sra. McLowenah. – A inscrição não mudou nada desde que estudamos nos anos oitenta. Apenas está mais enferrujada.

Maniah estranhou. Sua mãe não entregava a idade tão facilmente assim, mas ela deveria estar emocionada por voltar ao Instituto após décadas.

– Acho que está na hora, não? – disse Sr. Topaz olhando para o relógio. – Meio dia e meia. Acho que é hora de dizermos tchau para nossos tesouros.


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Cenin corou intensamente enquanto o pai o dava um abraço apertado e falava palavras inaudíveis no seu ouvido.

– Eu vou sim, pai. Prometo.

– E você, minha filha. – disse Sra. McLowenah se virando a Maniah. – Você promete se comportar e ser a melhor da classe?

– Prometo.

– Agora vem cá. – e abraça a filha. – Não fique com fome, coma bem e se sentir mal, peça para a Madame Palione para ligar para casa, quero saber todos os detalhes. Use ‘Sendus Selaro’ em cartas e me escreva todo dia. Sempre fique perto da Chefe da sua Fraternidade e faça amizades, mas tome cuidado. Sempre vai ter um professor chato, não perturbe eles, eles são os piores.

A menina teve a sensação de que o conselho estava indo por horas.

– Agora, boa sorte. – disse a mãe beijando a testa da filha. – Fique perto de Cenin, ele é um garoto legal. Vou te mandar as malas e o Sr. Topaz me chamou para visitar ele, então mande carta para o endereço dele amanhã. Pergunte ao Cenin depois.

– Vamos, Maniah. – chamou Cenin.

– Tchau mãe. Até logo.

– Me escreva sempre e beba água, filha! – e essas foram as últimas palavras que ela ouviu antes de entrar nas grandes portas do Instituto.

O Salão Principal era enorme, tinha uma grande escadaria ao fim, e era maior que a mansão McLowenah. Tinha enormes quatro mesas, e uma mesa flutuante com uma longa toalha de mesa cor de vinho. No meio da mesa existia um idoso com uns oitenta anos. Sua camisa tinha o ‘P’ prateado, mas embaixo havia: “Prof. G. Gramatul”, com certeza era o diretor Gramatul que ouviu falar.

Tinha os cabelos grisalhos e indo até a altura do ombro, não tinha barba e usava vestes vinho com detalhes prata e roxo. Aos seus dois lados uma longa linha de pessoas que Maniah adivinhou que eram professores.

– Bem legal, não é? – Diz Cenin do nada.


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– Legal é pouco. – responde a menina. – Olhe, aquela professora ao lado do Diretor Gramatul vai falar.



Um comentário:

  1. É você que cria os textos? gostei muito, você ainda tem muito sucesso nessa área, se continuar com certeza vai muito longe!

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